4 de outubro de 2007

Rosa Palma, sócia-gerente do Musicafé em Montemor:

Sucesso deve-se a "muita paixão"

Quem conhece a noite de Montemor sabe que há uma noite montemorense antes do Musicafé e uma outra depois do Musicafé. Pelo menos é algo que os próprios gerentes desta empresa montemorense sentem. Os próprios, ao inicio, sentiram a necessidade de se adaptar às procuras do público em Montemor, alterando um pouco o conceito inicial, que seria o de vocação única de Café Concerto.
Rosa Palma, uma das sócias gerentes responde a algumas perguntas de NdM e mostra que ainda agora a viagem começou pois ainda há muito a fazer. E têm feito: a variedade com que presenteiam os seus clientes em cada noite de fim-de-semana quebra um pouco da monotonia que, muitas vezes, os jovens sentem na cidade de Montemor.
Auxiliada por Rui Martins, outro dos sócios-gerentes, percursionista e "back-vocal" dos famosos Santos e Pecadores, fala-nos sobre outros projectos derivados deste Musicafé: o site e o programa Nights on Music, ambos a completarem um ano de existência.


Noticias de Montemor (NdM) - O Musicafé tem sido um caso de sucesso na noite em Montemor. A que se devem estes quase quatro anos de afirmação?

Rosa Palma (RP): Devem-se a muito trabalho, muito empenho e principalmente, muita paixão.

NDM - O Musicafé trouxe um novo conceito a Montemor-o-Novo. Os públicos que tentaram alcançar são diferentes daqueles que encontraram quando começou este projecto?

RP - Completamente. O conceito inicial identificava-se com um Café Concerto, algo muito mais calmo do que aquilo que temos hoje em dia. Apesar disso tivemos que ir de encontro com a procura e o que é certo é que a camada mais jovem da população procurava um espaço de animação com dança, mais tipo discoteca. Tentamos agora conciliar os dois conceitos de forma a abrangermos o maior número de pessoas possível.

NDM - O facto de apostarem em Montemor, sendo que nem todos os gerentes são daqui, deve-se a que critérios?

RP - Em primeiro lugar, por uma questão de concorrência (ou falta dela, tendo em consideração o horário de funcionamento de que gozamos). Em segundo lugar por considerarmos que os nossos jovens também têm direito ao divertimento e a aproveitarem da diferença com que tentamos pautar as nossas noites!

NDM - É, para vós, uma aposta ganha?

RP - Ainda não. Não nos podemos sentar à sombra da bananeira. Há que inovar todos os dias! Queremos fazer ainda muito mais...

NDM - Consideram que existe concorrência na noite em Montemor?

RP - Existem espaços alternativos, com mais e menos qualidade, o que nos obriga a trabalharmos bastante e a darmos sempre o nosso melhor.

NDM - Que outros projectos há para o futuro nesta área da noite?

RP - Este ano alterámos as sextas-feiras, agora temos Karaoke, o que nos trás clientes de outras faixas etárias que criam um ambiente mais familiar e divertido e ainda estamos a estudar a hipótese de abrir durante a semana com um conceito mais acolhedor... e mais não digo...

NDM - E que novidades vai trazer o Musicafé a Montemor, nos próximos tempos, a nível de festas?


RP - A agenda de Outubro já é conhecida, vamos ter dia 06 deste mês, o DJ Piçarra, que foi o DJ vencedor da tour Sapo DJ em Portimão, dia 13 vamos ter o “Grouse and Frinds”, um conceito que iremos ter sempre todos os meses, onde o DJ Grouse, nosso residente, convida amigos para irem tocar com ele, neste caso de dia 13 será o Dj Miko e Percussão ao vivo com R. Martin, voltamos a ter no último fim-de-semana as noites latinas e o karaoke sempre claro a todas as sextas-feiras. Quanto a Novembro ainda não posso revelar… Não, agora a sério, estamos a preparar já o Halloween e entretanto aproveito também para dizer que o espaço interior estará aberto durante a semana, com um ambiente diferente das sextas e sábados, muito mais acolhedor, onde num ambiente chill out se pode ouvir boa música e conversar com os amigos. E estamos também, claro, como não podia deixar de ser a preparar o nosso 4º aniversário para Fevereiro do próximo ano.

NDM – Apesar da pausa que o programa vai fazer, qual o balanço que fazem do 1º aniversário do programa de rádio, Nights On Music, na Rádio Nova Antena?

RP - Esses comentários não são da minha competência. Infelizmente envolvi-me pouco nesse projecto apesar de ele ter ficado nas mãos, muito competentes do Rui Martins. Ninguém melhor do que ele para comentar.
Rui Martins – Foi muito positivo em vários aspectos, 1º pelo número de ouvintes diários, tanto na rádio na frequência 101.3, como no site em www.rnamontemor.pt e no nosso em www.musicafe.com.pt, como a ouvirem no bar, 2º pela própria programação ao ser muito variada, desde a música portuguesa ao pop rock, ao hip hop e rnb e claro ao house, acabando por satisfazer as várias vertentes, ou gostos musicais, dos ouvintes e clientes.

NDM - E o site, também ele com um ano de vida...vêm com bons olhos que o site foi uma mais valia para o musicafé, em que sentido?

RP - O site está muito bem concebido. Só o número de visitantes que tem tido já nos leva a crer que tem sido uma grande mais-valia.
Rui Martins – O site www.musicafe.com.pt, acaba por resumir um pouco daquilo que é uma noite no musicafé com as foto-reportagens, que têm muito procura e bem como ao acederem ao site ficam logo a saber a próxima festa e inúmeras outras informações que só sabem mesmo se clicarem, se ainda não o fizerem força, vai valer a pena.

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18 de abril de 2007

Processo de uma peça em bronze:

Chegar, moldar e "bronzar"

Passar uma peça de um mero gesso para uma peça em bronze, com os mesmos contornos que a original e deixando a certeza de que a assinatura do escultor se pode perceber nesses contornos, não é tarefa fácil. Em Montemor há que o faça. Rui Pamas e Pedro Silva, são os dois “artistas" sem serem que levam a efeito um processo que culmina numa peça artistica de outros. Se a marca dos dois fundidores não se fizer sentir em nada, na peça final, então eles fizeram um bom trabalho.

Tudo começa no molde original. Pode ser em pedra, gesso, barro ou, até, esferovite. “Isto começa pelo original”, explica Rui Palmas, “Qualquer matéria pode ser utilizada”.
O passo seguinte é a tiragem do primeiro molde, um primeiro negativo da peça. Feito com silicone, em estado meio liquido, a peça é “barrada” e, aos poucos começa a ganhar consistência. 30 minutos e temos o primeiro molde que vai ser cheio de cera, dai a pouco.
A cera, já quente e liquida, começa a ser deitada no primeiro molde, de silicone, e vai sendo esvaziado e cheio, consecutivamente, ficando, de cada vez, pequenas camadas de cera que vão solidificando.
Segue-se aquilo que é a gitagem. Começa aqui o processo de concepção do segundo negativo, este já mais importante, pois leva a que se obtenha o molde final onde vai ser colocado, depois, o bronze. “Os gitos são canais por onde o bronze vai entrar. É o sistema de alimentação da peça. O bronze irá entrar por essas entradas, irá encher esta peça toda”.
Mas, como se obtém um gito, ou melhor, uma entrada de bronze a ferver, para a peça original. É na fase de banhos que isso se alcança
Uma tina, que se percebe ser uma adaptação de um “bidão” de plástico com um centrifugador de uma Máquina de lavar, considerado “altamente tecnológico”, que está sempre em funcionamento para não deixar que, o liquido lá dentro páre um só segundo. Corre-se o risco de a “silica coidoidal” (assim se chama o produto lá dentro), vulgo cola, assente e solidifique. “É um liquido que está em suspensão, onde se mergulha a peça em cera e vai-se passando neste pó que é o cilicato de alúminio. No fundo é como se estivesse a fazer um panado”, explica o fundidor..
Esta matéria tem a funcionalidade de ser um refractário para aguentar o calor do bronze. 1180 graus é a temperatura a que o bronze entra aqui.
Por fim a peça, depois de escorrida, vai ao forno, funcionando a cozedura como a de uma peça de cerâmica. E é nessa peça de "cerâmica" que vai ser colocado o bronze a cerca de 1180 graus centigrados, onde vai solidificar e de onde sairá a peça final.
Tudo isto termina com a retirada de algumas "grainhas", uma limpeza. Dantes era com escovas e martelos. Agora já existe uma espécie de broca eléctrica. Máquinas rectificadoras. Tudo o que é excesso vai ser laminado para ficar com a forma original.
Por fim existe a patina que consiste em oxidar acelaradamente a peça para ficar com a cor que o cliente quer na peça.
um processo que leva peças destes rapazes a todo oa país e para a Dinamarca, de onde já vem 30% da facturação da empresa.
Pode ainda visitar o site desta empresa em www.fmontemor.pt.vu (em breve as fotos)

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Fundidores de Montemor:

O bronze, sinónimo de primeiro lugar





Neste caso é mesmo para dizer que o Bronze significa já o primeiro lugar para dois jovens empresários da cidade que vêm o seu trabalho reconhecido por parte da grande maioria dos grandes escultores nacionais.
Em 2001, dois jovens montemorenses, decidiram criar algo que os colocasse, de novo, no mercado de trabalho, na área que mais gostavam, podendo, assim, juntar o útil ao agradável e poderem ganhar o seu dinheiro ao mesmo tempo que tinham prazer no que faziam.
Recém-desempregados, depois da falência na empresa de fundição em que trabalhavam apostaram em, os dois, Rui Palmas e Pedro Silva, em lançarem-se na criação da sua própria empresa na área da fundição em bronze.
Concretizadores das peças que, outros, lhe pedem para reproduzir, encontraram, há pouco tempo, um novo espaço nos loteamentos para empresas, um pouco à frente da Zona Industrial da ADUA, para poderem ter um espaço maior e com melhores condições. De realçar que, quase todo o material com que trabalham, actualmente, foi construído pelas suas próprias mãos, usando a imaginação e os conhecimentos que têm.
As grandes dificuldades prendiam-se com a procura de um espaço. O que havia era muito grande e com o tamanho que precisavam não existia.

Noticias de Montemor (NdM) - Qual é a vossa Formação?

Rui Palmas (RP) - Tivémos formação no Cinfu, no Porto. Depois viémos trabalhar para uma empresa, para Montemor, que faliu. E nós achámos por bem não ficar parados e avançámos para a criação desta empresa. Começámos por trabalhar num armazém pequeno, instalações provisórias. Também não havia armazéns com as caracteristicas que procurávamos, em Montemor e, há seis meses, depois desta zona privada ter sido construida, viémos para aqui.

NdM - Imagino que não seja assim tão fácil para os jovens, criar a sua própria empresa?

RP - As dificuldades são as financeiras, como qualquer empresa tem. No nosso caso foi tudo com capitais próprios. Também não foi muito, mas era o dinheiro que tinhamos. Não tivémos apoio, nem do Estado, nem empréstimos bancários, nem nenhum subsidio de nenhuma espécie, por enquanto.

NdM - Agora, com novo espaço, é uma perspectiva a de fazer crescer a empresa?

RP - Em termos de pessoal, já somos três o que já é um crescimento importante, neste momento. E vamos crescendo, também, à medida que o trabalho vai aparecendo.

NdM - E o trabalho, vai aparecendo?

RP - Vai. Tem altos e baixos, mas vai.

NdM - Consideram que a vossa empresa, neste momento, já é reconhecida, o suficiente?

RP - Tem sempre que se fazer trabalho comercial. Temos de estar atentos ao mercado. Fazer telefonemas, renovar a página na internet, enviar e’mail... é um trabalho comercial como qualquer empresa deve ter. Não podemos ficar aqui, à espera que caia o trabalho.

NdM - Sei que o Cutileiro é um dos vossos clientes. Que outros nomes sonantes fazem parte da vossa carteira?

RP - Todos, à excepção do José de Guimarães e do Cabrita Reis. São os únicos que nós ainda não conseguimos. Agora, de renome, praticamente, temos todos como clientes. José Rodrigues, José Pedro Croft, Rui Chaves, Rui Sanches, o Cutileiro, os Charters... quase todos.

NdM - Quando vêem uma peça, de um desses artistas, exposta, sentem-se um pouco parte daquela peça, como co-autores?

RP - Isso é muito difícil. É suposto o nosso trabalho ser invisível. A única coisa que o fundidor pode aplicar à peça é a patina. Ai, há uma grande luta entre os fundidores em ter as melhores patines. É a única coisa em que o escultor não interfere tanto, sendo que é ele que escolhe a patina. Mas é a única coisa em que podemos dar um toque mais nosso, que é a cor final. De resto o nosso trabalho tem de ser invisível. Quanto mais invisível for, melhor é esse trabalho.

NdM - Vale a pena apostar em Montemor em termos empresariais?

RP - Isso dava outra entrevista. A nossa experiência é a de que temos pouco dinheiro, mas isso, ninguém tem culpa. Não estamos melhor por isso. Temos trabalho. Agora, a nível estatal e camarário, costuma-se dizer que, só que não empatassem já ajudavam. A nível de legalização de instalações, por exemplo... estes pavilhões estão aqui há um ano e pouco. E mesmo que nós quiséssemos ir, há uns anos atrás, para a zona industrial, não podíamos, porque não havia armazéns industriais para a nossa dimensão. Há lotes no Parque Industrial, sim, mas são grandes. Para uma empresa pequena...

NdM - Este espaço, agora, já vos serve?


RP - Este já nos serve. Mas também não havia. Mas agora, já apareceu, ainda que sejam construções de um particular. Mas, perguntava se vale a pena apostar em Montemor: Calhou a ser aqui. Não é um acaso. Mas se tivesse de ir para fora, iria. Mas eu acho que se deve apostar em Montemor. Mas tem é de haver condições. Tenho pena que certas coisas não possa comprar em Montemor, que tenha de comprar fora. Mas cá ninguém as vende. Por vezes necessitamos de qualquer material, e nas casas que poderiam vender esses materiais, não têm, não querem saber, e nós temos de ir buscar a Lisboa. É muito dificil, por vezes, estar aqui.

Pedro Silva (PS) – Nós apostámos em Montemor porque vivemos cá, somos daqui. O sitio que tinhamos antes era um pavilhão do pai do Rui. Tivémos sete anos em casa emprestada porque não havia nenhum espaço onde pudéssemos instalar a fundição. Agora apareceu este aqui a um preço acessível que acaba por ser, de todas, a melhor hipótese.

RP – Um lote da Câmara custa mil contos. Se quer que lhe diga, mil contos não são o problema. Depois temos de construir um pavilhão que custa 50 ou 60 mil contos, e aí já é um problema.

PS – E na Zona Industrial também não havia espaço. Mas nós vamos lá e parte da Zona Indústrial está lá, livre. Mas vamos à secretaria da Câmara, ao núcleo do Parque Industrial, pedir um módulo e dizem-nos que estão esgotados. Alguma coisa nos escapa. E os que há são enormes.

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